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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Costa Amalfitana

A pouco mais de uma hora de carro, ao sul da cidade de Nápoles, está um dos mais paradisíacos e românticos cenários do território italiano. Palco de filmes hollywoodianos, luas de mel apaixonadas, histórias milenares, a Costa Amalfitana é, sem dúvida, um lugar que propicia um encontro perfeito entre montanhas, mar, casinhas coloridas e um sonho de viagem.

São 60 km de praias (pequenas, mas encantadoras) às margens do mar mediterrâneo que esbanjam exuberância natural, com suas águas extremamente azuis, vistas espetaculares, estradinhas com vilarejos incríveis, casas coloridas sobre penhascos, glamour, pratos típicos – e, evidentemente, muitos turistas e celebridades (sobretudo no verão). 

A Costa Amalfitana, classificada pela UNESCO, desde 1997, como Patrimônio Mundial da Humanidade, delimita-se ao norte por Vietri Sul Mare, um pouquinho acima de Salerno, e ao sul pela Península de Sorrento. Compreende as comunas de Vietri sul Mare, Cetara, Tramonti, Maiori, Minori, Ravello, Scala, Atrani, Amalfi, Conca dei Marini, Furore, Praiano e Positano.

Para chegar à costa vindo de Nápoles, pode-se pegar um trem da Circumvesuviana (081/772-2444, www.vesuviana.it) para Sorrento ou um da Trenitalia (www.trenitalia.it) para Salerno. Depois, basta pegar um ônibus da Sitabus (www.sitabus.it) ou da Unico Campania (www.unicocampania.it) para se locomover entre as cidadezinhas.

Mas o melhor mesmo é alugar um carro e aproveitar um pouco de cada paisagem, de cada lugar, apesar de ser uma estrada difícil (muito estreita, bastante sinuosa e bastante movimento) e de exigir bastante atenção e prudência. Os italianos não respeitam muito as leis de trânsito, então, é preciso mesmo paciência e precaução.

As 3 principais cidades da Costa Amalfitana são: Ravello, Amalfi e Positano. Porém, como todas são muito próximas (o trecho todo de Sorrento a Salerno é de 60 km), é possível visitar todas.

Sorrento, Positano, Nocelle, Praiano, Furore e Amalfi

Saindo de Nápoles, partimos rumo à Costa Amalfitana iniciando por sua porta de entrada: a cidade de Sorrento, com aproximadamente 16.000 habitantes.

Por ser a primeira cidade, tem uma ótima infraestrutura hoteleira. Hotéis de 3 e 4 estrelas com vista para o mar, como Hotel Rivage, Hotel Settimo Cielo, Hotel Girasole.

Da estrada temos uma bela vista panorâmica da praia: casinhas coloridas junto ao rochedo e barcos no mar azul.

Mais 7 km adiante, chegamos a Positano, considerada a mais romântica da Costa Amalfitana. Casinhas sobre as pedras, vielas estreitas e charmosas, sobretudo à noite, e muitos cafés e restaurantes, além, claro, da beleza das praias. São duas: Spiaggia (praia) del Fornillo e a Spiaggia Grande (grande só no nome mesmo) – desta última saem barcos com destino à ilha de Capri.

Para os que preferem silêncio e tranquilidade, a dica é a praia de Fornillo. Em direção ao leste, as opções são as prainhas de Laurito, San Pietro, Arienzo, Fiumicello, La Porta e Torre Sponda.

O cenário realmente encanta. Grandes rochedos (cobertos de casinhas) que desce sobre as águas cristalinas. Na Praia Grande há uma espécie de caverna no rochedo onde o mar avança. A areia é escura e ganha um visual bonito com os guarda-sóis e cadeiras coloridas. Alugar o kit sai caro, cerca de € 20.

Se o tempo não estiver ensolarado, caminhar pelas ruazinhas do centro histórico é uma boa pedida. Na praça central, praça Flavio Gioia, está a igreja de Santa Maria Assunta e sua incrível escadaria (e no seu interior, a cripta medieval), erguida no século V em homenagem a San Vito. Abriga a famosa estátua bizantina de uma Madonna negra, além de suntuosas pinturas sacras.

Positano, com assentamentos antropológicos que datam da época paleolítica, é, provavelmente, a cidade mais antiga da costa Amalfitana.

Após a queda do Império romano, pouco se sabe sobre a cidade, pelo menos até o século IX, quando a República Marinara de Amalfi tornou-se uma importante potência marítima e Positano passou a fazer parte do território, desfrutando das vantagens proporcionadas pelo comércio marítimo.

A conquista normanda da província amalfitana aliada à perda de sua autonomia e os ataques sofridos por piratas sarracenos contribuíram para o declínio da cidade. Fome, peste e maremotos causaram um despovoamento significativo da região entre os séculos XVI e XVII.

Superado esse período obscuro, Positano conquistou a supremacia comercial no Reino das duas Sicílias, no século XVIII, sob a dinastia dos Bourbon.

A partir do século XIX, tornou-se o destino de férias preferido de muitos herdeiros de famílias ricas europeias e de artistas importantes, que a imortalizaram em muitas de suas obras.

Para quem busca fugir do movimento turístico Nocelle é o destino ideal (vila que faz parte de Positano). A cidadezinha fica no topo de uma das mais altas montanhas da região (a quase 500 metros de altitude) e oferece paisagens impressionantes de oliveiras, de vinhedos e do Mar Mediterrâneo. Há um ônibus local que faz o percurso até lá.

Deixamos Positano e seguimos para Praiano (a 10 km de Positano e a 15 km de Sorrento). Logo na entrada está o Hotel Smeraldo.

As praias de Praiano são Marina di Praia, coberta por pedrinhas e rodeada por altas paredes rochosas, e Cala della Gavitella, acessível por meio de uma trilha cheia de escadas que parte do centro da cidade. Na verdade, é uma baía onde a beleza fica por conta da Fontana dell'Altare, uma piscina natural que fica no início de uma gruta. Um restaurante de mesmo nome (La Gavitella) coloca à disposição dos clientes um transfer do píer de Positano ou de Marina di Praia.

Passear entre os monazzeni, as antigas casas dos pescadores do fiorde de Furore, é uma boa dica.

No passado os habitantes de Praiano eram famosos pela extração dos corais e costumavam usar um brinco na orelha esquerda seguindo as tradições sarracenas.

Praiano transformou-se na residência de verão dos Doges, quando fazia parte da área que pertencia à República de Amalfi.

No alto da Vallata di Campo (Vale do Campo), onde se encontram a igreja de San Luca Evangelista com seu maravilhoso pavimento em majólica (técnica originada na Itália e introduzida na Península Ibérica em meados do século XVI, que revolucionou a produção de cerâmica ao permitir a pintura direta sobre a peça já cozida), a igreja de San Gennaro e a Igreja/Convento de Santa Maria a Castro, o visual é incrível.

Nesse caminho entre Positano e Amalfi está Furore, um local bem pitoresco e pouco conhecido na Costa Amalfitana. A vila tem uma população de cerca de 800 pessoas espalhadas ao longo de uma fenda vertical de uma alta encosta acima do mar Mediterrâneo. A principal atração turística é o dramático ‘Fjord’ ou fiorde, onde um grupo de casas de pescadores antigos se sustenta nas paredes de um desfiladeiro rochoso. Ali, há uma pequena praia.

Todos os anos, durante o mês de setembro, artistas de todo o mundo são convidados para decorar espaços públicos durante um festival local. O pequeno povoado fica bastante colorido e inspirando ainda mais o contraste com o belo cenário. Até mesmo os trilhos e postes são decorados com tons brilhantes.

Para atrair turistas, as casinhas antigas foram renovadas, lojas de souvenirs foram abertas, uma gruta foi transformada em um bar e um museu sobre a diversidade botânica do fiorde de Furore foi inaugurado.

A próxima cidade pela qual passamos foi Amalfi (a 25 km de Sorrento e a 13 km de Praiano), com 5.500 habitantes.

Importante cidade portuária do Mediterrâneo entre os século IX e XII a.C., Amalfi é uma das cidades mais famosas de toda a Costa Amalfitana. A piazza (praça), rodeada de belos cafés e com uma fonte coberta por querubins, e o Duomo di Sant'Andrea (Catedral), acessível por uma escada de 62 degraus e de arquitetura com influências árabes, bizantinas, barrocas e normandas, são alguns de seus atrativos. O templo começou a ser construído no século X e hoje abriga duas basílicas, um Museu Diocesano, afrescos de Vincenzo de Pino e uma belíssima pintura da crucificação de Cristo feita pelo artista napolitano Roberto Oderisi. Ao lado do Duomo di San Andrea encontra-se o Chiostro di Paradiso (Claustro do Paraíso), construção erguida no século XIII para abrigar as sepulturas das famílias nobres da região.

O turista pode visitar ainda o Museo della Carta, que abriga uma das mais antigas fábricas de papel da Europa, e a Grotta dello Smeraldo, gruta onde a água do mar ganha uma cor entre o verde e o azul turquesa.

As praias, também belas, têm mar calmo. Há cadeiras e guarda-sóis para alugar. Os restaurantes locais vendem deliciosos panini (sanduíches), pizzas e o famoso limoncello, bebida alcoólica feita com os limões colhidos na Costa Amalfitana.

Na região, muitos hotéis: La Pergola, Bellevue, Miramalfil (com piscina), S. Caterina, entre outros.

Um dos destaques gastronômicos é o tradicional Amalfi Torre Sarracena e Ristorante. La Torre Saracena foi construída durante a época da antiga República de Amalfi (século X) para proteger a cidade contra ataques de piratas. Nos tempos modernos, a torre tornou-se um restaurante (com receitas clássicas), com vista para a baía de Amalfi.

Outras Cidades da Costa Amalfitana

Passamos pela pequena Minori (3.000 habitantes), área que foi habitada em tempos romanos (o que foi comprovado pela descoberta da Villa romana de Minori, provavelmente datada do primeiro século d.C.) e por Maiori (5.800 habitantes).

Em Maiori fica a praia mais extensa da Costa Amalfitana, quase 1 km de areia e cerca de quinze balneários. Tudo bastante plano, completamente diferente do panorama tradicional da Costa Amalfitana, símbolo da Itália. A formação se deve ao catastrófico desmoronamento de 1954 que destruiu completamente a antiga cidade e criou a planície de hoje.

Minori, ao contrário, não foi atingida pela enchente de 1954 e, portanto, mantém a tradicional forma típica dos burgos marítimos da Costa Amalfitana, com suas ruelas e praças que descem em direção ao mar, neste caso, uma pequena praia.

Erchie faz parte de Maiori: uma pequena aldeia de pescadores típica da Itália em uma das praias mais bonitas de toda a Costa Amalfitana. Nos 200 metros de praia há duas torres sarracenas erguidas para vigiar a eventual aproximação de piratas.

Próximo à praia existem ótimos restaurantes. Nessas praias, poucos são os espaços gratuitos para deitar na areia.

Cetara (com 2.500 habitantes) faz fronteira com Maiori e também tem seus encantamentos. A pequena aldeia com vista para o mar, com casas antigas e coloridas, uma torre e uma igreja da grande cúpula de faiança (cerâmica branca), tem duas praias: praia do Porto di Cetara e praia Lannio.

Outra cidade vizinha é Ravello (2.600 habitantes), que fica num dos pontos mais elevados da Costa Amalfitana e de onde se pode avistar Minori.

Ravello tem uma bela Catedral (do final do século XI), uma praça repleta de flores e cafés e a Villa Rufolo, construção histórica cercada de jardins. Aliás, os jardins são uma das grandes atrações da aldeia e ideais para um passeio. Outro exemplo é a Villa Cimbrone, com jardim, belvedere e um terraço de vista panorâmica. Ambas, sobre os penhascos, oferecem uma visão espetacular da costa.

O local é sede do Ravello Festival, realizado principalmente entre junho e setembro, quando reúne concertos de música clássica, mostras, cinema, arte e literatura.

Um hotel bem frequentado é o Belmond Hotel Caruso. Sua localização e sua piscina no alto que parece emendar com o mar lembram os hotéis das ilhas gregas.

Castiglione é uma pequena aldeia (e praia de Ravello) de casas (com portais antigos) construídas nas cercanias de uma pequena igreja do século XIII, dedicada aos Santos Filipe e Tiago.

Da praia é possível ver a torre da Igreja de Santa Maria Madalena em Atrani, cujo acesso se dá por uma escadaria.

No vilarejo de Atrani, no mês de agosto, ocorre a “Festa do Peixe Azul”, promovida pelos pescadores locais e que envolve degustações de comida, shows de música e saraus.

A praia de Atrani não é das mais atraentes, mas vale a pena se hospedar na vila e usá-la como ponto de partida de explorações pela região. Amalfi está logo ali ao lado (15 minutos de caminhada) e na frente de Atrani passam ônibus que percorrem toda a costa.

Ali sobram opções de hotéis e pousadas cujas diárias cabem no bolso (há quartos duplos custando cerca de € 50). Uma delas é o hostel A'Scalinatella.


Outras alternativas para pagar menos em hospedagem e comida são as cidades de Praiano, Minori ou Maiori. Sorrento ou Salerno podem ser opções viáveis para economizar também, porém por estarem cada uma nas extremidades da Costa (início e fim, respectivamente) são maiores, menos charmosas e mais distantes dos “points”. Se você não abre mão do agito, os locais ideais são Positano e Amalfi.

Salerno foi a última cidade pela qual passamos, encerrando assim nossa viagem pela belíssima Costa Amalfitana.

Maio, junho e setembro são os meses ideais para visitar: as temperaturas estão agradáveis, os preços tendem a ficar mais justos e há menos turistas. No inverno europeu, muitos dos negócios das vilas ficam fechados. Julho e agosto são altíssima temporada: a época marca o alto verão europeu e as praias ficam lotadas, aumentando demais os preços de hospedagem e alimentação.

Nosso próximo destino é Nápoles e Pompeia. 

Nápoles

Vindo de carro da Costa Amalfitana, chegamos a Nápoles (região da Campânia, ao sul da Itália) no dia 22 de setembro. A reserva no Hotel La Pace (€ 100 para casal) já estava feita. Estacionamos em um “parking” indicado (€ 20 por dia) pelo hotel. Andar no trânsito caótico de Nápoles é impossível. A razão de ficarmos com o carro é que visitaríamos, depois de 2 dias na cidade, as ruínas de Pompeia (a 24 km de distância).

Nápoles tem aproximadamente 1 milhão e 200 mil habitantes (terceira mais populosa da Itália, atrás e Roma e Milão). Terra natal da pizza, localiza-se no golfo de Nápoles, no mar Tirreno. É um porto importante e o principal centro industrial e comercial do sul do país. É, também, um centro turístico, pois nas cercanias estão o vulcão do monte Vesúvio, as ruínas de Pompeia e de Herculano e as ilhas de Capri, de Ísquia e de Procida. E o seu centro histórico (já não tão conservado) foi declarado patrimônio mundial pela UNESCO.

Durante inúmeros séculos, Nápoles dominou todo o território do sul de Itália. A História da região da Campânia está associada aos Etruscos e Gregos, civilizações testemunhadas pelas gigantescas ruínas de Paestum ou Poseidonia, como era originalmente chamada (grande cidade da Magna Grécia). As ruínas de Paestum incluem os templos de Ceres, de Netuno, da deusa Hera (chamada também de Basílica) e de Argive Hera (bem conservados), além do museu. Tíquete a € 10 e € 5 (meia).

Fundada no século IX a.C., como uma colônia da Grécia Antiga, é uma das mais velhas cidades do mundo, por onde passaram várias civilizações que deixaram ali sua herança artística e arquitetônica.

O centro histórico de Nápoles é dos maiores da Europa, em termos de área: 1.700 hectares, classificados pela Unesco como Patrimônio Mundial. Ao longo da História, foi a capital de ducados, reinos e de um império, assim como um importantíssimo centro cultural, especialmente durante o período da Renascença e do século XVII ao XIX.

De 1282 a 1816, foi a capital do Reino de Nápoles; após essa data, uniu-se à Sicília, tornando-se a capital das Duas Sicílias, até à unificação da Itália, em 1861.

Foi duramente bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial e reconstruída para sediar o Fórum Universal de Culturas em 2013.

Na área em que ficamos (mais ou menos peto do Centro Histórico), há muitos outros hotéis: Top Hotel Clarean, StarHotels Terminus, Best Western, Hotel D’Anna, Sea Hotels Group, Hotel San Giorgio, Hotel Bella Napoli, Hotel Palazzo Caracciolo (este é 4 estrelas). Mesmo com tanta oferta, é aconselhável fazer uma reserva. A cidade fica lotada e os preços são altos.  

O importante é ficar próximo a uma estação de metrô para se locomover facilmente na cidade. Nós ficamos perto da estação Piazza Garibaldi.

O sistema ferroviário de Nápoles é composto por: 2 linhas de metrô, um metrô rápido e 5 trens urbanos. O metrô foi inaugurado em 1993 e funciona das 6h às 23h. UNICO NAPOLI (um cartãozinho azul) é a tarifa integrada que permite viajar em todos os meios de transporte das empresas de consórcio de Nápoles.

O bilhete simples custa € 1,20 (válido por 90 minutos após a primeira validação). O bilhete de 1 dia vale € 3,70 e é o mais indicado, pois vale por 24 horas. O de final de semana sai por € 3,00 (válido aos sábados ou em feriados a partir da meia noite do dia da validação). E o bilhete mensal custa € 40,00 (expira à meia-noite do último dia do mês de validade).

O Aeroporto de Nápoles está localizado a 7 km a nordeste da cidade. Não há conexão em trem, mas há um serviço express de ônibus (ANM Alibus) que vai do aeroporto para o centro de Nápoles a cada vinte minutos. Parte do terminal de chegada e demora de 15 a 20 minutos até a Piazza Garibaldi e de 30 a 35 minutos até a Piazza Municipio. Há também ônibus até Avellino, Benevento e Caserta (região metropolitana). O preço do bilhete é de € 3,00.

As melhores regiões (bairros) para se hospedar são o Quartieri Spagnoli (Bairro Espanhol) e o Centro Storico. Outras opções são Santa Lucia, Chiaia, Vomero e Capodimonte, todos também próximos à parte histórica e, portanto, nas proximidades dos atrativos turísticos.

A gastronomia é uma das grandes atrações da cidade: comidas típicas e internacionais, vendinhas, cafés, padarias, sorveterias. Há muito o que provar. E os preços variam bastante. Tem até fatia de pizza e livro por 1 EURO somente. Basta percorrer as ruelas do centro histórico e aproveitar. 

Centro Histórico de Nápoles

Partimos para a Piazza Dante Alighieri para pegarmos o metrô para irmos ao Centro Histórico. Ali está o Convitto Nazionale Vittorio Emanuele II, antigamente um complexo histórico e religioso, abrigando hoje uma escola primária, uma secundária inferior e três de segundo grau (a Escola Europeia clássica, uma ciência do ensino médio tradicional e uma ciência de alta escola de esportes).

As estações mais próximas do bairro são: Cavour, Museo e Dante. Mas outras (com um pouco de caminhada) também dão acesso: Porta Nolana e Piazza Garibaldi.

Uma das principais vias da parte antiga é a Via dei Tribunali. Ali está a igreja barroca de Santa Maria delle Anime del Purgatorio ad Arco, ou simplesmente o anúncio Purgatório Arco, erguida em 1616, que também comporta um museu sacro no seu subsolo. Na verdade, há uma igreja superior e outra inferior, de iguais dimensões. O acesso à inferior se dá por uma escada à esquerda, logo depois da entrada, e seria um lugar para o enterro das pobres almas.

Nas capelas laterais, há obras de escultura em madeira de mestres desconhecidos e pinturas de artistas napolitanos do século XVII. A estrutura vista hoje é diferente da original, pois passou por várias destruições e restaurações.

No Centro Histórico, começamos a caminhada pela Vicoletto S. Pietro a Majella e chegamos à primeira de muitas igrejas que ainda veríamos e de todas as existentes ali: Chiesa dei S. S. Filippo e Giacomo. Com traços importantes de arquitetura renascentista (na fachada, duas colunas e pilastras), e belos afrescos na cúpula (os evangelistas) e no presbitério (os santos Filipe e James), sua construção durou de 1593 a 1758.


Passamos pela Piazza San Domenico Maggiore – Quart. S. Giuseppe, onde há uma igreja de mesmo nome e um obelisco barroco com a estátua de São Domingos.

Adiante está o Complesso Conventuale di S. Gregorio Armeno (séc. XVI a XVIII), que envolve uma igreja, um claustro e um monastério, a Chiesa di San Nicolola al Nilo (séc. XVII), a Chiesa Monteverginella (construída entre os séculos XVI e XVIII) e a Basilica S. Giovanni Maggiore, concluída no século XIX. Depois de ter ficado fechada por décadas, devido ao trabalho de restauração e investigações arqueológicas, foi reaberta em 2012.


Seguimos e nos deparamos com o imponente Complesso Conventuale di S. Chiara (séc. XIV), com sua igreja, torre, um grande pátio e o Museu Dell’Opera.

A construção original da igreja (do século XIV) não existe mais; foi seriamente danificada em 1943 pelos bombardeios da Segunda Guerra. Passou por restaurações nos séculos XVII, XVIII e XX, chegando à arquitetura que tem hoje.

O museu contém peças e objetos da igreja do século XIV e ruínas da escavação do primeiro século de existência do templo.

Depois avistamos a Cappella Sansevero (na Via Francesco de Sanctis), uma capela simples, em estilo barroco, de portal verde. Idealizada pelo príncipe Sansevero, contém várias simbologias maçônicas (o local foi construído numa região onde havia um templo à Isis) e uma das obras de arte mais bonitas do mundo: o Cristo Velado, la Pudicizia, il Disinganno. Porém, a capela tem também outro título, Pietatella. Esse segundo nome vem de uma anedota de que um preso condenado injustamente estava passando pelo local, quando subitamente uma parede lateral que se encontrava onde hoje é a capela, desmoronou, e apareceu ali uma figura da Pietá. O duque de Torremaggiore, Giovanni Francesco di Sangro, começou a construir a capela, dando o nome de Santa Maria della Pieta (ou simplesmente Pietatella). Mas foi com Raimondo di Sangro, sétimo príncipe de Sansevero, que a construção foi concluída. Além de simpatizante da maçonaria, ele ainda era um entusiasta das artes e das ciências. Aberta diariamente (exceto terças), das 8h às 14h30.

Ainda próximo à Basílica di S. Chiara está a Chiesa del Gesú Nuovo (século XV-XVI). O antigo Palazzo Sanseverino foi convertido em igreja. Sua fachada com pedras escuras que parecem em alto-relevo chama a atenção.

Perto dali está a Chiesa e Chiostro (Igreja e Claustro) di San Gregorio Armeno, a San Paolo Maggiore e o Pio Monte della Misericordia.

O complexo de San Gregorio Armeno (do século XVI) é incrivelmente ornamentado. Tudo ali é suntuoso: o altar, os afrescos, uma fonte barroca no claustro.

San Paolo Maggiore, localizada na Piazza Gaetano, é uma basílica menor, de estilo barroco e sua construção remonta ao século VIII ou IX. Ali está sepultado Caetano de Thiene, mais conhecido como São Caetano, o fundador da Ordem dos Clérigos Regulares da Divina Providência (conhecidos como teatinos).

E a maior atração da Pio Monte della Misericordia, uma pequena igreja do século XVII, é a obra “Os Sete Atos de Misericórdia”, de Caravaggio. Além dela, há outros poucos quadros, de outros artistas italianos.

O ingresso, que custa € 6, permite também a visita ao museu onde consta o documento que comprova o pagamento de 400 ducados a Caravaggio pela realização da pintura, e obras da Renascença, do barroco e da arte do século XIX. ATENÇÃO: NÃO é permitido fotografar e o horário de visitação é somente das 9h às 14h.

Passamos em frente ao Museu Diocesano (aberto em 2007). Reúne pinturas e afrescos de uma igreja velha e outra nova, depois transformada em Arquidiocese de Nápoles, e guarda também o túmulo de Maria da Hungria. Localizado no Largo Donnaregina.

Funicular Montesanto e atrações

Nápoles tem hoje 4 linhas de funicular, das quais três levam a pontos próximos entre si, no alto da cidade, perto do Castel Sant’Elmo. O Funicolare Centrale parte da Via Toledo, quase ao lado da Piazza Trieste e Trento; o Funicolare di Chiaia parte da Piazza Amedeo, em Chiaia; e o Funicolare di Montesanto tem seu ponto de partida ao lado da estação de metrô de mesmo nome, pertinho do centro histórico.

Nós pegamos esse último: Montesanto. No Largo San Martino (bairro Vomero) está o Certosa e Museo di S. Martino, um monastério (da ordem dos monges cartuxos) construído em 1325, hoje transformado em museu. O edifício é um belo exemplo de barroco napolitano. Há o grande claustro e o pequeno claustro, chamado Claustro de Procuradores, que é a porta de entrada para os jardins e salas do museu (com piso em cerâmica e azulejo). O cemitério dos monges cartuxos é decorado com crânios de mármore.

Outra atração na região é o Castel Sant’Elmo (Via Tito Angelin). Em formato de estrela, era originalmente uma igreja dedicada a São Erasmus. Cerca de 400 anos depois, em 1349, o local foi transformado em castelo e ganhou ares de fortaleza em 1538. Usado como uma prisão militar até a década de 1970, hoje é ponto de visitação pelo visual panorâmico que oferece da cidade e por abrigar a Biblioteca de História da Arte Bruno Molajoli e o Museo del Novecento, dedicado à arte napolitana do século XX (pinturas, esculturas e instalações futuristas). Ingresso: € 5.

Um dos atrativos vistos do alto de Sant’Elmo é o Castel dell'Ovo, o mais antigo castelo de Nápoles depois do Castel Capuano, do século XII (foi nesse ponto nos muros da cidade que a estrada levava para a cidade de Capua, o que justifica o nome; hoje o bairro onde está chama-se Centro Direzionale), tendo desempenhado até o início do século XVI as funções de palácio real dos soberanos de Nápoles. Localizado no golfo de Nápoles, na ilha de Megáride.

O seu nome deriva de uma antiga lenda, segundo a qual o poeta latino Virgílio – que na Idade Média também era considerado como um mago – escondeu no cofre do edifício um ovo mágico que manteria em pé toda a fortaleza. A sua quebra provocaria não só o colapso do castelo, mas também uma série de ruinosas catástrofes na cidade de Nápoles.

Dali fizemos uma pausa para comer uma fatia de pizza na Pizzeria Vecchia Napoli (rua lateral à Estação di Montesanto). Há várias opções de gastronomia e a preços populares, de € 1 e € 1,50.

Voltamos para a área central do centro histórico.

As ruazinhas são repletas de trattorias, padarias, quiosquezinhos vendendo babá (bolinho doce típico), pizzas, calzones, kebabs e cachorro quente.

Pegamos o metrô para a estação Município. Lá estão outras belas atrações. Da Estação di Montesanto até lá são cerca de 20 minutos.

O Palazzo Reale di Napoli (Palácio Real de Nápoles), localizado na Piazza del Plebiscito, no barrio de Santa Lucia & Chiara, é um dos quatro palácios que serviram de residência aos reis de Nápoles e Sicília durante o seu reinado no Reino das Duas Sicílias (1730-1860); os outros palácios são o Reggia di Caserta, o Reggia di Capodimonte e o Reggia di Portici.

O imponente palácio, cuja fachada lateral está voltada para o Teatro San Carlo (o prédio original de 1737 foi destruído por um incêndio em 1816 e, restaurado, após o término da Segunda Guerra Mundial), tem além do apartamento real e da capela, mais 28 salas.
Na parte externa, esculturas dos soberanos de Nápoles ornamentam os belos jardins.

Em frente ao palácio está a Chiesa di San Francesco di Paola (do século XIXI), com arquitetura inspirada no panteão de Roma.

A poucos metros do palácio está o Castel Nuovo, cuja construção foi iniciada em 1279, por ordem de Carlos I de Anjou (rei da Sicília e Conde de Anjou), e concluída três anos mais tarde. No entanto, permaneceu desabitado até 1285, quando foi ocupado por Carlos II de Nápoles. O castelo foi, então, ampliado e embelezado, tornando-se um centro de patronato artístico, mas em 1347 foi saqueado pela armada húngara. Restaurado e fortificado por Joana I de Nápoles, tornou-se uma resistente fortaleza contra vários ataques subsequentes.

O seu maior destaque são duas torres cilíndricas laterais, nomeadas de Fé e Esperança, que sustentam o arco decorado com o alto-relevo de Ferdinand I de Aragão montado em um cavalo. Foi construído para celebrar a sua entrada em Nápoles em 1443. Esse grande portal é conhecido como Porta Nolana.

Depois do saque de Nápoles em 1494 pelos franceses, o castelo deixou de ser residência real e assumiu a função de fortaleza militar, voltando a ser ocupado pela realeza no século XVIII.

No seu interior, a única estrutura original é a Cappella Palatina, com afrescos do pintor italiano, Giotto.

Hoje, além desse portal medieval, seguindo pela via Sopramuro, está um dos melhores mercados de rua da cidade (que vendem comida e roupa), conhecido como Mercato di Porta Nolana.

Outra bela arquitetura pode ser contemplada na La Reggia di Capodimonte (ou Palazzo Reale di Capodimonte). A antiga residência de verão dos reis do Reino das Duas Sicílias, hoje abriga uma galeria e o Museu Nacional de Capodimonte.

O palácio, que levou mais de um século para ser concluído (as obras terminaram em 1759), tem três andares e 160 salas. Portanto, impossível vê-lo por completo. O ideal é separar uma manhã ou uma tarde inteira e selecionar o que quer ver. No primeiro andar, obras de Bellini, Botticelli, Caravaggio, Masaccio e Titian. Na Sala 78, por exemplo, está o quadro Flagellazione, de Caravaggio. Nos andares acima, trabalhos de artistas napolitanos dos séculos XIII ao XIX e tapeçarias belgas do século XVI.

Na parte externa existe um grande parque, perfeito para caminhadas, piqueniques ou prática de esportes.

Perto dali está a imponente Igreja de Madre del Buon Consiglio (século VIII) com arquitetura similar a de São Pedro, no Vaticano. Além da beleza de sua fachada, a maior riqueza está no seu subsolo: as catacumbas de San Gennaro, cemitérios subterrâneos que datam do século III e representam o monumento mais importante da Cristandade em Nápoles.

Junto às fileiras de catacumbas, há antigos mosaicos e afrescos cristãos.

Ali está sepultado o corpo de San Gennaro. Originalmente, havia três cemitérios separados, dedicados a San Gaudioso, San Severo e San Genaro. O nível mais baixo é o mais antigo, então remonta aos séculos III e IV.

Até o século XI, as catacumbas foram o local de sepultamento dos bispos de Nápoles.